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Saúde

Mulheres entre 20 e 59 anos são as maiores vítimas de violência em Goiânia

Dados foram apresentados nesta quinta-feira e são baseados nas notificações realizadas pelos serviços de saúde e escolas municipais da cidade

Publicado em: 12 de março de 2020 às 12:30 | última atualização: 12 de março de 2020 às 16:59

A Prefeitura de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), divulgou nesta quinta-feira (13/3) o relatório da violência no município de Goiânia em 2019. As análises foram realizadas pelo Núcleo de Prevenção a Violência e Promoção da Saúde a partir do Banco de Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), baseado nas notificações realizadas pelos serviços de Saúde e escolas municipais da cidade.

De acordo com os dados apresentados, no ano passado foram notificadas 2.796 situações de violência, sendo que 65,4% das vítimas são mulheres e 34,6 % homens. Levando em consideração apenas os residentes em Goiânia,70% das vítimas são mulheres.

As mulheres adultas de 20 e 59 anos são o grupo com maior número de notificações de violência (50,2)%, seguidas das adolescentes de 10 a 19 anos. Os tipos de violência mais comuns são as lesões autoprovocadas que ocorreram em 36,5% dos casos, a violência física (31,3%) e violência sexual (24,1%). O relatório destaca que em 36% dos casos a violência já havia ocorrido anteriormente.

Ao analisar por ciclos de vida, a negligência/abandono é a que mais ocorre entre meninas de até 9 anos (45,8%), seguida de violência sexual (41,1%). Entre adolescentes do sexo feminino a maior ocorrência é de lesões autoprovocadas (53,5%) seguida de violência sexual (31,5%). Entre mulheres adultas a violência física é a que mais ocorre (43,9%), seguida da lesão autoprovocada (39,1%) e entre idosas ocorre mais a negligência/abandono (47,9%), seguida da violência física (35,2%).

Em todos os ciclos de vida a violência ocorre em sua grande maioria dentro da residência, sendo: crianças (88,1%); adolescentes (76,9%); adultas (73,8%) e idosas (88,7%). Os familiares são os principais autores da violência contra criança (70,8%) e contra as idosas (48,1%). Entre as adolescentes, são elas mesmas (52,3%), bem como entre as mulheres adultas (39,9%), em função do alto número de violências autoprovocadas nestes dois grupos. Ressalta-se que entre mulheres adultas o segundo maior agressor são os parceiros (25,2%).

A Secretaria de Saúde apresentou ainda os índices de feminicídio na capital. Quase 700 mulheres foram assassinadas em Goiânia entre 2009 a 2019, 480 delas eram residentes na cidade e maior parte das vítimas tem entre 20 e 59 anos, eram negras e solteiras. O levantamento mostra que em 64% dos casos a vítima morreu ainda no local .

Após a apresentação dos dados a médica pesquisadora representante da Fundação Internacional Vital Strategies, Fátima Marinho, falou sobre a parceria que será feita com a Prefeitura de Goiânia para o combate à violência contra a mulher. “Goiânia será uma cidade modelo neste projeto. Com esses dados apresentados aqui vamos integrar a informação que existe para mapear melhor essa violência e olhar para todos os aspectos do impacto da violência na saúde da mulher. A partir disso podemos começar a desenvolver ações de prevenção e de cuidado”- explica.

A Secretária Municipal de Saúde reforça que os dados representam uma grande responsabilidade para o poder público. “Os números são assustadores e preocupantes e nós estamos saindo da fase de fazer o diagnóstico da situação para a fase de ação. Com essa parceria, a primeira ação é elaborar um banco de dados de monitoramento que nos possibilite entender o algoritimo dessa violência e agir preventivamente antes de um desfecho fatal”, afirmou .

Adriana Moraes, da editoria de Saúde